Coluna do Bighi #6: Small Talk

Postado no dia September 1st, 2007 em Coluna do Bighi por Bighi

Uma coisa que sempre me irrita é quando estou andando tranquilamente pela rua e encontro um antigo conhecido, daqueles que não tenho contato há pelo menos dois anos. Tento até fingir que não vi, vou passando direto, mas eles sempre acabam nos vendo e aí fica aquela obrigação implícita do small talk, o ato de “bater um papinho”.

Ô coisa chata, hein. Isso é sempre a mesma coisa, aquele negócio de “tá sumido” pra cá, e “tá fazendo o quê” pra lá, e os minutos vão escoando devagar. Aquilo parece que não acaba nunca.

Mais engraçado é quando a pessoa nem lembra onde você mora/trabalha, e só pelo prazer de não deixar a conversa morrer perguntam “E aí, você ainda tá lá?”. Você que se vire pra decifrar o que “lá” quer dizer.

Parece existir uma arte oculta do small talk, uma escola de conversa fiada inútil e fútil. E todos os Velhos Conhecidos fizeram um curso intensivo por lá. Quando você já esgotou seu estoque de frases feitas e acha que a conversa já passou dos limites do aceitável, eles começam a sessão nostalgia, com os assuntos mais chatos que conseguem relembrar. Tudo pelo simples prazer de não te deixar seguir seu caminho.

Nenhuma conversa com um Velho Conhecido pode, é claro, terminar sem o clássico “vamos marcar alguma coisa”, seguido por um “vamos sim” e um “eu te ligo”. Telefones são trocados, você vai pra casa e torce pra que esse pessoa nunca te ligue pra marcar alguma coisa.

Geralmente acabam não ligando mesmo, e daqui a 2 ou 3 anos vocês se esbarram novamente pra que todo o ritual recomece.

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Coluna do Bighi #5: Eu vou para o céu!

Postado no dia August 26th, 2007 em Coluna do Bighi por Bighi

Todos os dias sofro com uma grande quantidade de dúvidas na minha cabeça. Será que vou ficar careca? Será que vou conseguir um emprego decente? Será que o Uwe Boll vai continuar fazendo filmes? Mas uma coisa eu tenho certeza: eu vou para o céu!

Eu descobri a existência do céu quando ainda era um pequeno rapaz, ouvindo sobre as belezas divinas da boca de uma tia. Ela me falava sobre Deus e essas coisas, e o céu me pareceu um lugar bem supimpa. Fiquei então curioso pra saber como é que se conseguia um ingresso pra lá. Na primeira classe, de preferência.

Não demorei muito pra entender as regras, e vi que você consegue passagem garantida pro céu mais fácil se for rico, lindo ou político. Porque quem consegue sair impune de tudo quanto é cagada que faz só pode ser protegido por deus e, portanto, irá para o céu.

Se você não se encaixa em nenhum destes perfis, pode conseguir comprar seu lugar no céu, doando 10% de toda sua renda bruta (e não a líquida) todos os meses para a igreja universal mais próxima de você, mas existem exceções. Você nunca conseguirá entrar no céu se for um gay, um judeu ou um dinossauro.

Coluna do Bighi #4: Pra onde foram os filmes eróticos?

Postado no dia August 16th, 2007 em Coluna do Bighi por Bighi

Amor de CasalVocês se lembram dos filmes eróticos que a gente curtia na infância? Aqueles filmes com história, onde não mostravam o sexo explícito. Filmes como o clássico Emmanuelle, e muitos outros que não lembro o nome. Pois então, pra onde foram eles?

A quantidade de filmes pornô lançados a cada ano só aumenta, e parece que essa concorrência só tem contribuído para diminuir a qualidade deles. E esses filmes ruins eram pelo menos feitos por atrizes, mas agora resolveram botar pessoas totalmente incapazes pra “atua”, como Rita Cadillac e Gretchen. Fala sério, quem quer ver velhas feias transando?

Com esses filmes eu fico sentindo falta de uma história que motive aquele monte de “ohh” e “uhhh” e “oh my god, fuck me harder” que vemos nos filmes. É sério, pare um dia pra assistir um filme desses e ler as legendas. É ridículo. A mulher chega pra entregar uma pizza, o cara fala “você é gostosa” e pronto, ela já está tirando a roupa. Aí todos esses filmes acabam sempre parecendo ser a mesma coisa.

Eu queria é ver filmes eróticos feitos como antigamente, aqueles que eram bons. Hoje fiquei um tempão procurando por algum filme do estilo que tenha sido feito recentemente, pra poder elogiar e falar que o estilo ainda não tinha morrido, mas não encontrei nenhum. Parece que o estilo realmente morreu. Nos anos seguintes vamos é ver mais pessoas “famosas” fazendo esse tipo de filme, porque é isso que vende bastante.

A impressão que eu fico é que o roteiro que a gente encontra nesses filmes é como uma laranja usando chapéu de caubói: completamente sem sentido.

Coluna do Bighi #3: Sou fã do Stallone

Postado no dia May 21st, 2007 em Coluna do Bighi por Bighi

Sylvester StalloneDepois de muito tempo voltei com a coluna. Pra começar recomeçando, eu queria falar um pouco de Sylvester Stallone. Vocês podem até acabar torcendo o nariz ao ouvir este nome, mas há poucos meses aprendi a respeitar o Stallone muito mais do que respeitava antes, ao conhecer a história de sua vida.Um jovem da Pennsylvania tinha um sonho: ser ator. Mas ele tinha um grande problema. Parte do seu rosto havia sido permanentemente paralisado, devido a um acidente durante o parto. Com isso, não tinha tanta capacidade de expressão no rosto quanto os outros atores, e uma certa dificuldade pra falar claramente. Este garoto era Sylvester Stallone, conhecido pelo apelido “Sly”.

Sly foi um exemplo de perseverança. Entrou numa academia de interpretação, onde pagava as aulas ensinando educação física para mulheres. Todos os seus professores o incentivavam a desistir, por causa de sua deficiência. Pra conseguir um dinheiro extra para viver, Sly trabalhou como lanterninha de cinema, limpador de jaulas do zoológico e até chegou a fazer um filme pornô barato pra conseguir pagar o aluguel. Mas Sly não desistiu.

Ele conseguiu uns papéis sem muita importância em uns filmes, até ter a idéia de um filme sobre um boxeador, que ele chamou de Rocky. O Stallone colocou muita coisa da sua própria vida no filme, e provavelmente por isso acabou sendo um enorme sucesso. Tínhamos ali a história de um boxeador que não desistiu de seus objetivos, nunca desistiu de lutar e um dia conseguiu concretizar seus sonhos. Exatamente como Stallone, que nunca desistiu de ser um ator. E ele só conseguiu porque falou que só venderia o roteiro de Rocky se ele fosse o protagonista, e mais ninguém.

Stallone envelheceu, parou de fazer filmes, e foi esquecido. Não totalmente, mas saiu dos holofotes. Seus dias de glória haviam terminado, as pessoas não se lembravam mais dele. E então ele escreveu o sexto filme do Rocky, e este foi uma grande referência à sua vida, assim como o primeiro. Rocky era um lutador que havia ficado velho, havia sido superado e esquecido. Rocky havia perdido as fortunas que ganhou durante a fama. E então ele decidiu voltar a lutar. Não porque queria vencer, não porque queria a fama, mas porque simplesmente queria lutar. Fazer aquilo uma última vez, uma despedida. A quantidade de lições que Stallone nos dá neste filme é muito grande. É quase como se fosse ele mesmo falando através do Rocky, falando conosco.

Vai sair Rambo IV. Depois posto o trailer pra vocês. Deve ser o último filme deste ator que foi esquecido, e resolveu voltar aos holofotes uma última vez antes de dar sua carreira por encerrada. Não sei as outras pessoas, mas eu nunca vou esquecer do homem que venceu todas as suas dificuldades, não deixou sua paralisia atrapalhar e conseguiu realizar seus sonhos. Ele pode sair dos holofotes, mas o nome de Sylvester Stallone vai estar pra sempre na minha mente, sendo um exemplo a seguir.

Coluna do Bighi #2: Pirataria, Bandeiras em Chamas e Clodovil

Postado no dia February 3rd, 2007 em Coluna do Bighi por Bighi

Queridos amigos, amigas e dúzia de leitores do tomate. Estou começando hoje o que serão minhas crônicas semanais, publicadas toda semana aqui no tomate cru, semanalmente. Vou escrever sobre coisas que aconteceram durante a semana, coisas do nosso Brasil Varonil, sobre a vida, o universo e tudo mais. Se essas coisas não te interessam, bom… devem ter sites mais legais por aí.

Algumas coisas interessantes aconteceram durante esta semana, mas não sinto a mínima vontade de falar sobre elas. Se você não sabe o que aconteceu, você provavelmente andou vivendo sob uma rocha durante os últimos sete dias (não me pergunte como se vive sob uma rocha, eu nunca tentei. Afinal, não tem televisão lá). Por outro lado, aconteceram coisas completamente desinteressantes, e me sinto no direito de entediar vocês falando sobre elas. Se não quiserem ler, dou a vocês permissão para pular os parágrafos seguintes sem se sentirem culpados por não terem lido todo o texto. Pode pular, eu deixo.

Uma pesquisa recente de pirataria nos revelou o que todo brasileiro já sabia: O Brazil-zil-zil é um dos campeões de pirataria do mundo, conseguindo o quarto lugar. É claro que não é como na copa do mundo de futebol, onde podemos ganhar todas, mas vamos tentando. Aposto que algum dos ministros deve ter algum tipo de plano econônimo de combate à falta de pirataria, para que o Brasil traga a taça para casa. Veremos o que será feito quando começarem a popularizar o HD-DVD e o BluRay, e aí veremos se não conseguimos ser os campeões. Pra frente Brasil, sei que podemos conseguir.

Coluna do Bighi #1: Eu não gosto de trabalho

Postado no dia January 29th, 2007 em Coluna do Bighi por Bighi

Trabalhar é chato. Trabalhar pros outros é mais chato ainda. Sempre que eu pego um projeto de um site pra fazer, apesar da boa quantia em dinheiro, acabo me sentindo deprimido pela grande quantidade de trabalho que terei pela frente.

Nunca entendi porque Deus não me fez com habilidade para jogar futebol, para que eu possa enriquecer como qualquer pessoa normal. Eu poderia também ter nascido como uma mulher alta e magrela, mas eu não gostaria de ser uma mulher e sangrar aproximadamente todo mês, com direito a décimo terceiro sangramento só pra não perder o costume.

De acordo com observações próprias, já entendi que um dos principais meios de se obter sucesso é nascer com muita beleza e pouco cérebro. Quanto mais beleza e menos cérebro, maiores as chances de se obter uma vida de qualidade e luxo. Se pararmos pra pensar, nossa inteligência nos faz evitar situações que poderiam nos trazer maior retorno financeiro, como aceitar deitar com qualquer pessoa por dinheiro ou aceitar ser amarrado(a) no pára-choque de um carro enquanto um cego dirige. Isso sim é um jeito burro e rápido de ganhar dinheiro e viver bem. Trabalhar é para os inteligentes, e não quero ser um deles.

Vocês, jovens, que estão pensando em entrar no mercado de trabalho, ouçam meu único e principal conselho do dia: quem trabalha não tem tempo de ganhar dinheiro. Aprendam essa lição e levem este conselho pelo resto de suas vidas, pois é uma das coisas que vocês aprenderão apenas quando for tarde demais.

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