Coluna do Bighi #6: Small Talk
Uma coisa que sempre me irrita é quando estou andando tranquilamente pela rua e encontro um antigo conhecido, daqueles que não tenho contato há pelo menos dois anos. Tento até fingir que não vi, vou passando direto, mas eles sempre acabam nos vendo e aí fica aquela obrigação implícita do small talk, o ato de “bater um papinho”.
Ô coisa chata, hein. Isso é sempre a mesma coisa, aquele negócio de “tá sumido” pra cá, e “tá fazendo o quê” pra lá, e os minutos vão escoando devagar. Aquilo parece que não acaba nunca.
Mais engraçado é quando a pessoa nem lembra onde você mora/trabalha, e só pelo prazer de não deixar a conversa morrer perguntam “E aí, você ainda tá lá?”. Você que se vire pra decifrar o que “lá” quer dizer.
Parece existir uma arte oculta do small talk, uma escola de conversa fiada inútil e fútil. E todos os Velhos Conhecidos fizeram um curso intensivo por lá. Quando você já esgotou seu estoque de frases feitas e acha que a conversa já passou dos limites do aceitável, eles começam a sessão nostalgia, com os assuntos mais chatos que conseguem relembrar. Tudo pelo simples prazer de não te deixar seguir seu caminho.
Nenhuma conversa com um Velho Conhecido pode, é claro, terminar sem o clássico “vamos marcar alguma coisa”, seguido por um “vamos sim” e um “eu te ligo”. Telefones são trocados, você vai pra casa e torce pra que esse pessoa nunca te ligue pra marcar alguma coisa.
Geralmente acabam não ligando mesmo, e daqui a 2 ou 3 anos vocês se esbarram novamente pra que todo o ritual recomece.
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Pode deixar que de agora em diante s’o dou “oi” e ” tchau” pra voce. eu sei identificar uma indireta quando vejo uma… pode deixar! Voce ainda vai sentir falta de mim! (na verdade naum vai, mas me deixe acreditar nisto ao menos, por favor!)