O consenso geral é de que nós, como humanos, fomos evoluindo e nos distanciando dos outros animais da natureza. A verdade, entretanto, está bem longe disso. Em vários momentos de nossas vidas podemos ver outras pessoas agindo como animais, e o mais marcante desses momentos é ver as pessoas pegando o trem na Central do Brasil, no Rio de Janeiro.
Pegar trem por lá se tornou uma arte selvagem, uma prática que não se aprende da noite pro dia. É preciso muito tempo praticando e falhando até se conseguir pegar o jeito desse negócio. E isso não é para os fracos!
Esta arte envolve esperar no lugar certo, no momento certo. Ver as pessoas se amontoando e se empurrando para entrar no trem é uma visão muito difícil de se descrever. Para que você entenda melhor, vou fazer uma analogia com animais.
Ver as pessoas pegando o trem é como ver… elefantes atrás de sua presa, um alce indefeso. Todos os elefantes se amontoam perto das portas do alce, esperando elas se abrirem. Assim que se abrem, todos os elefantes correm e se empurram, pulam por cima do outro e até dão cotoveladas e trombadas. Sempre tentando chegar primeiro pra sentar nos bancos do alce.
Algumas vezes um ou outro elefante acaba ficando pra trás, e o alce fecha suas portas e vai embora sem eles. Outras vezes, alguns elefantes até mesmo se machucam. De um jeito ou de outro, sempre sobram elefantes para trás, que precisam esperar até que um novo alce apareça.
Esta prática, que acontece todos os dias, é uma das mais brutais da nossa civilização moderna, e o número de mortos e feridos que ela deixa só é rivalizado pela prática de peidar no elevador.