February 11th, 2008 | Escrito por: Charles Ranger Deixe seu comentário »

Eu fui criado como católico. Fui batizado, fiz primeira comunhão, incluindo o cursinho onde a gente cantava musiquinhas legais sobre estripar os inimigos de Deus, ia à igreja de vez em quando, ou seja, passei pelo mesmo que a grande maioria da classe média brasileira passou quando criança. Mais tarde, com o passar dos tempos, convivi com várias religiões: evangélicos, espíritas, macumbeiros, isso só pra dar um exemplo.

Uma coisa em comum em todas elas é que não consegui acreditar em nenhuma. Nem umazinha. A que chegou mais perto de despertar minha atenção foi a dos índios, em que cada coisa tem seu deus embutido, mas o fato de que muitos dançavam semi-nus durante horas em volta de uma fogueira pra conseguir chuva tirou um pouco a credibilidade dela. O fato é que eu nunca tive a fé necessária para acreditar que rituais inventados pelo homem realmente deixe feliz um ser que nunca vimos, não sabemos como é, não sabemos do que gosta, e nem se são vários.

do Lat. fide, confiança
s. f.,
crença religiosa;
crença, convicção em alguém ou alguma coisa;
convicção;
 
No final, tudo em qualquer religião se baseia nisso, em apenas acreditar em algo, sem provas, sem motivos, uma crença inabalável no desconhecido. Não que isso seja ruim. A religião, se bem usada, pode ajudar muitas pessoas. Na verdade eu invejo as pessoas com uma fé dessas. Isso as dá esperança no futuro, tira o medo do desconhecido, as dá coragem para enfrentar a vida. O problema é quando essa fé é confundida com idiotice, como é o caso disso. Às vezes as pessoas exageram, e coisas como essa é o resultado. Por coisas como essa é que tanta gente diz que religião não presta. Mas a religião é apenas algo sendo usada erroneamente, como muitas outras coisas no mundo. A política, a televisão, a Coca-Cola e o Guaraná Jesus são exemplos.
 
Aí, você aí com a bunda sentada na cadeira do computador, querendo apenas que esse texto enorme termine para poder ver o próximo vídeo da Silvia Saint pensa: “Esse cara aí é ateu!”. Só que eu não sou.
 
Ateu
 
s. m.,
aquele que nega a existência de Deus; 
 
Por mais que os ateus falem o contrário, acreditar que não existe um deus requer tanta fé quanto acreditar que ele existe. Pensem comigo, se não existem provas de que ele existe, também não existem provas de que ele não existe. Existem evidências que levam a crer nos dois casos. Na verdade três se quiserem considerar o politeísmo como uma terceira possibilidade ali. O que a maioria dos ateus repudia nas outras religiões é exatamente o que eles fazem: acreditar piamente em algo sem provas. Irônico não? 
 
Então, se não acredito em religião nenhuma, não sou ateu, o que eu sou? Sócrates já disse (ou pelo menos falam que foi ele, provavelmente foi um empregado qualquer que disse isso porque não sabia onde estavam as botas dele): “Só sei que nada sei.”. Simples. Eu não sei. Não sei se existe um Deus lá fora, não sei se existem 300 deuses brigando por cerveja, se não existe porra nenhuma; não sei se quando morrer virarei nada, ou irei para o céu viver com anjinhos, ou se irei queimar no mármore do inferno, ou se irei passar a eternidade lutando, bebendo e fudendo (viva o Valhalla!). Eu não sei, e provavelmente nunca saberei, pelo menos não em vida.
 
Mas se vocês querem tanto me classificar, acho que isso aqui se encaixa melhor:
 
Agnosticismo
 

do Gr. a, priv. + gnostikós, relativo ao conhecimento

s. m.,
doutrina que declara o espírito humano incompetente para conhecer o absoluto.