Eu sô trabalhadô, tio!

January 17th, 2008 | Escrito por: Bighi Deixe seu comentário »

Terça-feira tivemos paredão no Big Brother Brasil 8 (sim, eu assisto) e a mulher lá que não sei o nome saiu vencedora. Li então no jornal que ela é a favorita do público, principalmente por ser trabalhadora. A mãe dela acrescenta ainda com orgulho que ela “acorda de madrugada pra trabalhar”. Não aguentei ler o resto da matéria. Que mania imbecil é essa de achar que ser pobre e incapaz de arranjar um bom emprego é motivo de orgulho?

Um hábito realmente revoltante é esse dos pobres acharem louvável o fato de serem pobres. Por serem trabalhadores. Pessoas que dizem por aí orgulhosamente que trabalham das cinco da manhã até as dez da noite, ou algo do tipo, e se acham pessoas muito melhores por causa disso.

Um outro hábito igualmente idiota é ficar desdenhando de quem tem uma boa condição social, trabalha pouco por dia numa sala com ar condicionado e mora num apartamento bonito num bairro legal. Essa não deveria ser a meta de todo mundo? Não deveríamos todos almejar sucesso financeiro na vida?

Quem é que nunca viu esse tipo de pessoa que se orgulha de trabalhar catorze horas por dia desde os quinze anos de idade? E pra glorificar ainda mais, acrescentam que acordam de madrugada, ou que trabalham debaixo do sol. Este é um sinal de alienação tão grande quanto dizer “ah, eu não gosto dessas coisas americanas capitalistas”. É inventar um mundo próprio dentro da cabeça dela, invertido, em que ter uma péssima condição financeira é sinal de honestidade, bondade e humildade. Vai te catar!

T. Harv Eker, multimilionário americano, sempre diz que você nunca poderá ter uma boa condição financeira enquanto continuar repudiando quem está bem financeiramente, ou ficar se glorificando por ser pobre. Ainda acrescenta que podemos saber que quem se orgulha de ter um trabalho ruim é porque a pessoa já desistiu e aceitou que é incapaz de arranjar um emprego decente.

Se gabar de tal coisa é uma afronta ao progresso, é o culto à derrota, a tal sindrome de vira lata que da qual Nelson Rodrigues se referia e é tão comum no Brasil. Desde que fora dos campos de furebol, é claro.

Ela acorda de madrugada pra trabalhar? Que merda, pior pra ela. Eu não levanto de madrugada, não trabalho como um camêlo, e tenho certeza que não sou uma pessoa menos digna que o vendedor de balas da esquina só porque tenho condições de ter coisas como um notebook ou um videogame de última geração. E você, o que prefere?

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